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06/08/2018

Vento das fusões sopra na telefonia com ação subindo 1.400%

Especulações sobre consolidação são comuns no setor de telecomunicações do Brasil, um ramo altamente competitivo e de crescimento rápido. Agora, as condições para esses planos serem implementados podem estar sendo criadas.

A NII Holdings, controladora da Nextel, disparou neste ano no pregão de Nova York, sinalizando que os investidores estão dobrando as apostas em fusões e aquisições em um momento em que dois dos alvos preferidos finalizam processos que poderiam abrir o caminho para acordos.

A Nextel Telecomunicações, a unidade brasileira da NII, concluiu a reestruturação de sua dívida e está em melhor forma para ser adquirida em meio à lenta saída do País de uma longa recessão. O mesmo pode ser dito sobre a Oi, a maior operadora de telefonia fixa do País, que está finalizando a maior reestruturação de dívida da história do Brasil.

As ações da NII subiram 1.387 por cento no acumulado do ano até sexta-feira, o segundo melhor desempenho do índice Russell 2000. A empresa contratou a Rothschild & Co. para organizar a venda de sua participação de 70 por cento na Nextel Telecomunicações, noticiou a Reuters em 28 de junho, citando pessoas com conhecimento do assunto. Os investidores provavelmente estarão atentos à divulgação do balanço do segundo trimestre e à teleconferência da empresa, na terça-feira, em busca de novidades sobre o processo de venda. Em seu primeiro trimestre, a empresa registrou crescimento do total de assinantes pela primeira vez em mais de dois anos.

Mudanças recentes na liderança da TIM Participações, o braço brasileiro da Telecom Italia, também parecem sugerir que pode haver uma consolidação no horizonte. O novo CEO, Sami Foguel, tem pouca experiência no setor de telecomunicações, mas muita em fechamento de negócios.

"A Nextel Brasil seria um alvo de aquisição atraente não apenas para a TIM Brasil, mas também para a Telefônica Brasil ou para a América Móvil", disse Kevin Roe, analista da Roe Equity Research. "O espectro exclusivo e valioso da Nextel Brasil é o principal interesse de qualquer comprador, mas também haverá sinergias na consolidação de redes móveis. A AT&T também pode ter interesse, considerando que já tem uma presença significativa no Brasil no serviço de TV por satélite."

O diretor financeiro da NII, Dan Freiman, disse por e-mail que prefere não comentar o assunto.

O limite atual de espectro no Brasil, que tem travado a consolidação, está prestes a ser alterado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a reguladora do setor. A proposta de novos limites está sendo analisada pela equipe técnica da agência após consulta pública, informou a Anatel em e-mail de resposta a perguntas da Bloomberg.

Apesar da alta impressionante da NII, o analista da Cowen & Co. Lance Vitanza diz que as ações continuam baratas. "Se surgirem vários ofertantes, o preço pode chegar rapidamente a US$ 20", escreveu Vitanza, em relatório de 24 de julho. Não há favoritos para aquisição da Nextel, disse Allan Nichols, analista da Morningstar. "A única incapaz de pagar é a Oi."

A Oi, que acumulava queda de 10 por cento no ano em São Paulo antes do pregão desta segunda, convocou uma assembleia extraordinária de acionistas para 3 de setembro para resolver pendências da sua reestruturação de R$ 64 bilhões (US$ 17 bilhões) e votar em um novo conselho, que terá como membro o ex-CEO da TIM Rodrigo Abreu.

Bloomberg

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